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sábado, 30 de abril de 2011

Uma carta





Peço desculpas por chegar atrasada. Andei ausente eu sei. Percorrendo caminhos errados. Escolhendo atalhos errados. Desculpe-me por chegar até você tão cansada e tão fraca. Mas digo que foi preciso estar longe. Eu não saberia tudo o que sei agora. Precisava me encontrar antes de te encontrar, precisava deixar que o ar puro entrasse novamente em meus pulmões. Precisava me desapegar de tudo que me fazia mal. Precisava até enlouquecer, como de fato enlouqueci. Precisava ir até o auge de minha loucura e perceber o que é real e o que é fantasia, pra então poder perceber o que quero de verdade, o que quero esquecer e o que quero lembrar.
Estou aqui agora, ainda cansada e um pouco fraca mas o mesmo tempo cheia de vida e vontade de realmente estar aqui. Não pude estar contigo antes, mas agora e como em nenhum outro momento da minha vida tudo se tornou claro e definitivo. Espero que perdoe minha ausência e me permita estar ao seu lado de novo e assim possamos reviver o sonho que ficou guardado.

Sii Thomazini                                                                                     {Continua}

terça-feira, 8 de março de 2011




Se minha dor sangrasse, estaria agora banhada em sangue
Entraria loucamente e desesperadamente em sua casa arrombando tudo, detonando tudo e imploraria a você que estancasse o sangue frenético que jorra de cada parte do meu corpo.
Te colocaria contra a parede, te faria tomar uma decisão, e me salvaria dessa dor em chamas.
Você em desespero não veria mais nada além do sangue, e acabaria se misturando a dor que mesmo causou.
Talvez nesse momento e só por esse momento eu estaria entregue por inteira em sua mãos.

Sii Thomazini

domingo, 13 de fevereiro de 2011




Feche a porta, venha ver o espetáculo do mundo aqui e agora, disse ele sorrindo.
Ela distraída sem dar muita importância se virou para ele e respondeu:
 - O que? Pára de brincadeiras. Quero falar sério contigo hoje.
- Eu também. Vamos, feche a porta.
Ela sem entender pergunta agora um pouco irritada:
- Porque precisa fechar a porta?
- Pare de perguntas e feche a porta que irei te mostrar o espetáculo do mundo.
Descrente, um tanto quanto desapontada foi em direção a porta e a fechou.
- Pronto! Exclamou.
- Vem aqui. Ele a abraçou gentilmente e a girou suavemente fazendo com que ficasse de costas a ele e de frente a um espelho disse:
- Está vendo essa imagem refletida no espelho?  Esse é o meu espetáculo de mundo. Isso é o que importa pra mim, e basta a tua existência pra que tudo fique em ordem e em paz. Nada mais.
Ela não conseguiu conter as lágrimas que apressadamente surgiram de seu rosto e num impulso rápido virou para abracá-lo. Nesse momento não houveram palavras. Era desnecessário.Se afundou em seus braços e ficou ali... respirando aquela maravilhosa sensação.

Após esse momento, ele olhou pra ela e com um sorriso malicioso disse:
- O que era que você queria falar "sério" comigo? Ela sorriu de volta e o beijou com ternura.

E a paz foi restabelecida, como tinha que ser.

Sii Thomazini

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Reencontro



Ela queria estar no mais alto dos prédios. Era preciso! Ninguém entendeu e ninguém entenderia se contasse. Ela só queria e precisava como nunca estar lá.
Saiu correndo, pegou um táxi e foi ao encontro do que desejava.
Subiu as escadas e lá estava ela, sentindo a vertigem da altura, o vento forte violentamente açoitando ao mesmo tempo com um toque de delicadeza e selvageria seus cabelos, sua pele, seu corpo como um todo...
Essa era a sensação perfeita que procurava e necessitava ,para se misturar, se camuflar em meio a dor que estava sentindo.
Ela precisava fugir, precisava do lugar mais alto, do vento mais forte, de tudo "mais" que a sua dor.
Quando finalmente se viu sozinha e recuperando-se da vertigem do lugar começou a chorar torrencialmente, relembrando fatos que a machucava...
Depois de chorar convulsivamente olhou a redor e gritou com todo o ar que ainda havia em seus pulmões. Gritou o que tinha vontade e o quanto tinha vontade. E não se cansou até perceber que aquela dor - aquela que a trouxera de volta - se tornasse pequena diante da intensidade do lugar onde estava.
Num impulso quase imperceptível olhou a porta da cobertura estática, mórbida como nunca, imaginando que alguém entrasse por ali, e num gesto simples de um abraço a trouxesse de novo a realidade na qual ela relutava em voltar.
Sempre queremos que alguém entre por uma porta diretamente ao nosso encontro, e apenas com um sorriso e um abraço reconfortante, mude tudo a nossa volta.

Por um breve momento que não durou mais do que um minuto  retraiu-se e consolou-se, pois percebeu que não iria entrar ninguém. Estava só e não conseguia voltar a realidade que deixou. Ficou ali olhando o espetáculo da noite, o espetáculo da lua e seu brilho intenso tão visto por ela dalí, daquele exato lugar onde agora chorava, gritava e se perguntava: Por quê?
Mas ela precisava voltar, era fato.Chamariam-na de louca, egoísta e todos os adjetivos que ela não merecia, não naquela noite que deveria ser especial. Sua festa de aniversário. Estavam lá seus pais, amigos, parentes, todo mundo...
Eles não entenderiam. Ele não estava lá. Ele não voltou para buscá-la, ou melhor, ele nem avisou que iria embora.
Presentes, música alta, risadas, bolo, alegria no ar... Não aguentou não vê-lo ali, não aguentou tanta hipocrisia de sua parte e fugiu, fugiu com o coração em pedaços, fugiu pro seu recanto, seu espaço de camuflagem, sua fonte de alegria por tanto tempo, fugiu para o lugar onde tentaria se libertar dele!
Ele não entrou pela porta naquele dia, nem tão pouco pelos dias que se seguiram...
As vezes é preciso traçar outro caminho.

O dia de seu aniversário trouxe dois marcos em sua vida. Uma nova idade que se anunciava, e a certeza da renúncia a um sentimento que por tanto tempo a fez escrava.
Foi preciso correr, sentir o alto, o vento forte, gritar, chorar para estar finalmente decidida que aquele dia seria o fim definitivo de todas as suas idas a janela, idas ao prédio, e todos os lugares onde se encontraram.
Seu coração cansou. Cansou de sentir aquela dor.
Provavelmente outras dores viriam, mas aquela de uma vez por todas ficou resolvida dento de si.
Um coração lamentavelmente se cansa quando não há outro para compartilhar.
Morre de amar em vão.
E de uma só vez.

Sii Thomazini

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Final feliz



Meu começo de “final feliz” está no rosto dele. Cada linha, cada expressão...
 Acordo, olho para o lado e vejo-o dormindo em graça, como uma criança indefesa, inocente. Tão lindo! Meu começo de final feliz começa ali.
 Acordo-o com um beijo. Lentamente ele abre os olhos e me olha com aquele sorriso preguiçoso. A extensão de minha felicidade naquele momento é como se nada mais importasse. Só aquele sorriso me salvará de todo o mal enfrentado durante o dia.
Um sorriso naquele rosto que revela tudo que eu preciso saber...
Despeço-me dele com um beijo. O melhor beijo do mundo. O tempo pára.
Refaço-me e vou ao encontro de meus afazeres.
Levo-o em meu coração. Sei que também estou com ele.
Volto pra casa. Encontro-o de braços abertos. Ali, perco-me. Sinto-me enfim, protegida.
Conversamos. Sorrimos. Ele abre aquele sorriso naquele rosto que sempre foi meu “final feliz”.
 Aquele sorriso que me deu asas, que guiou meu coração ao encontro do dele. Que abriu caminhos...
Desde que o vi eu sabia que seria meu final feliz. Aquele que sempre ouvimos das histórias, dos filmes. Aquele que eu sempre quis a cada desilusão e que por tantas vezes pensei não existir. Aquele que dá sentido a tudo.
Aquele que é meu, o meu final, meu sempre,  final feliz.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010





- mas eu te amo disse ela ofegante.
Ele recusou-se olhar pra ela. Cabeça abaixada escondendo uma dor que ela desconhecera, escondendo uma verdade que ela não queria saber.
- Mas eu te amo, ela disse novamente, dessa vez em tom mais alto, mais nítido, mais real, tentando em vão demonstrar seu sentimento.
Ele deu de ombros,e encurvando-se como um bebê girou  o corpo ficando totalmente de costas, e em um tom quase inaudível disse a ela:
- Desculpe-me. E lentamente foi se afastando sem encará-la.
Ela pensou em gritá-lo, chamá-lo de volta, correr, porém suas mãos, seus pés, sua boca, seu corpo todo recusou - um coração sabe quando ficar em silêncio - Ao invés disso ficou vendo ele se afastar, enquanto lágrimas desconcertantes escorriam sobre sua face.
Desculpe, era tudo o que ele disse, era tudo o que ela tinha.
“mas eu te amo,” ficou gravado em seu peito.Esperando que algum dia ele venha pessoalmente,apague e no lugar, fique "eu te amo tbém".

Sii